quarta-feira, 17 de abril de 2019




ANOS DE TERNURA
(na quermesse)

olhar preso nos números
preso nos inúmeros
brindes a serem sorteados
que saudades daqueles anos dourados!

sonia delsin 




DA INFÂNCIA

hoje senti na boca o gosto do doce de mamão
senti na palma da mão
o calor do ovinho que caiu do ninho
senti os pelos das cabras roçando minha pele macia
senti o odor do mangueirão
não me incomodava não
senti o perfume da infância
o som do moinho
meu imenso mundo
ouvi as gargalhadas das crianças brincando
e eu?
eu ali a me balançar nos altos balanços que papai costumava montar
e ouvi o sons que conseguiram se eternizar
a nona tossindo
meu pai assoviando
e mamãe cantando
e o barulho da roda d’água, das mós a moerem  o grão
meu lindo pedaço de chão!

sonia delsin 




MEU MUNDO CAIU

Vi desabar o castelo
O rei déspota a mirar meu peito
Vi o mundo doutro jeito

sonia delsin 




DE TRÁS PARA FRENTE

Voltaste?
Vieste com este sorriso tolo
Este sorriso de menino encantado com a vida
Vieste me contar do tempo que cogitavas?
Que dizias que deveria andar para trás
Que ilusão a minha!
Não voltaste
Fui eu que voltei
Num destes meus devaneios

sonia delsin 





O TEMPO DE UMA LÁGRIMA

Ela desceria até a boca?
Ou ficaria retida nos longos cílios?
Parada ali a contar de uma imensa dor?

sonia delsin 




SANDÁLIAS DE FERRO

O caminho era tão pedregoso
Doloroso
As sandálias a lhe machucar os pés
E mancando ela seguia
Como uma teleguiada ia...
Ou seguia em busca de um sonho tão almejado?
De um tempo perdido?
Nunca esquecido
Apenas adormecido
Das entranhas da terra
brotariam castelos com suas princesas encantadas?
enamoradas
e belos príncipes a buscá-las nos jardins com seus suspiros?
E os beijos escondidos? E o arrastar de vestidos?
E o tempo que foi engolido?

sonia delsin 






TEMPO DE SUSPIRAR

caminho lentamente
admirando as flores do caminho
pensando na dor, no espinho
lembrando, sim, recordando
os antigos trechos, as picadas
tantas estradas!
sigo como quem vai admirar a rosa
sem pressa
apenas o tempo da admiração
o pensamento nesta encarnação
o que foi feito
o que teve defeito
ao que se deu um jeito
pensando, sentindo
e diante da rosa um suspiro
um longo suspiro
de dor?
de amor

sonia delsin 




AMIÚDE

de flores
e buquês
de borboletas
e colibris
de voos
de bem-te-vis
duma rosa tão vistosa
e das folhas dos coqueiros
o jardim... os passos naquele lugar
eram frequentes
e também vivia ali um ser
que repetia diversas vezes o mesmo trajeto
da casa ao jardim
a estrada de luz que o eterno escreveu

sonia delsin 




CAMINHO ESCOLHIDO

Foi escolhido a dedo
Foi pensado
Foi almejado
Foi elaborado o caminho
Foi desejado o espinho
Houve o esquecimento
O sentimento
O pensamento
O momento
...
E de repente as estradas foram estranhadas
Não desejadas
Evitadas
...
Até chegar um pouco de conhecimento
De esclarecimento


sonia delsin 



NO TEU CAMINHO DE ESPELHOS

Penso se refletias
Se mentias
Se vias
A ti mesmo
No teu caminho de espelhos

sonia delsin 





PASSOS NA CALÇADA

de olhos fechados fico a ouvir...
passos na calçada
uma lágrima teima em umedecer
meu olhar
começo a viajar
no tempo
vejo um homem
por mim tão amado
meu paizinho
ele vem do passado
vem me dar um abraço
vem me confortar
começo a soluçar
e os passos se afastam
rezo
penso que ele agora é um ponto de luz
no infinito
sufoco n’alma um grito

sonia delsin 

sábado, 30 de março de 2019




SENHORA

Senhora dos seus desejos
Senhora de si
Senhora
Tão confiante
Tão valente
Segue em frente

sonia delsin 




NADA

Não quero de ti pena
Nem tampouco a mão inerte
Não quero de ti a palavra
Nem o silêncio
Nada quero de ti
Nem mesmo o tempo que guardei no fundo do baú do passado

sonia delsin 




TUDO FINITO

Folhas caídas nas calçadas... Risadas, um tempo dentro de um tempo morto.

sonia delsin 





OCEANO

Uma leve brisa, um ar ameno... E um olhar, um oceano profundo. Um mergulho no tempo. 

sonia delsin 




SILÊNCIO

Às vezes nossa alma necessita apenas do silêncio. Das horas quietas... Às vezes queremos estar assim meio que dependurados entre duas eternidades. A saborear nosso ser... A repensar nossas vidas...

sonia delsin 




MINHAS VIDAS

Rasguei folhas onde os escritos perderam o sentido... Rasguei folhas amareladas pelo tempo... Rasguei-me em prantos... Me vi pelos cantos...a lamber feridas...até compreender as minhas vidas... 

sonia delsin 




RUAS DA MINHA SAUDADE

eu as percorro com os olhos acesos
com os soluços presos
eu as percorro
fazem parte de mim
as ruas, os transeuntes
uma pessoa tão especial
que por elas andava
beijo o ar e peço que leve o beijo
até a pessoa que ficou por estas ruas
peço que leve as palavras
e que leve meu coração ardente
de saudades
de saudades...
talvez ela se debruce na janela
talvez ela...
talvez ela se recorde um momento nosso
talvez ela se levante
e vá até o espelho
e se pergunte
um dia, um dia nos reencontraremos?
estarei tao perto dela
ela sentirá minha presença?
sinto que sim
agora caminha pelo jardim
observando uma rosa, pensando
pensando em mim?
sinto que sim

sonia delsin 





PEQUENA

teu sorriso, pequena
encanta meu mundo
meu mundo que se esconde
 atrás da última pétala caída
doutro lado da vida

sonia delsin 




POSSO ENFEITAR O SEU MUNDO...

eu sabia, eu sentia
que podia
podia enfeitar o seu mundo
então ria
piadas lhe dizia
porque eu sentia
que entre nós pouco tempo ficaria
meu amigo, entre as cobertas
entre as horas incertas
quantas dores!
quantas dores!

sonia delsin 


sexta-feira, 22 de março de 2019




O BRILHO DO ANEL

Ele andou por outros dedos
Foi-se o anel que tu me deste
Pai, foi aquela situação que me levou
a me desfazer do precioso presente
Foi o momento
Foi a dificuldade
Mas, sabe pai,
ele brilha ainda em minhas saudades
Não vivo de vaidades
Vivo das lindas lembranças guardadas

sonia delsin