sexta-feira, 22 de março de 2019


CAEM AS FOLHAS...

uma a uma
elas caem
e vão rolando pelas calçadas
vão pelas estradas
prego os olhos na passarada
no brilho dourado do horizonte
estendo a mão
uma fonte
um brilho fugaz
um rapaz
guardado na memória
doutros séculos
e sigo
a imagem sorridente
já não persigo
simplesmente guardo
retenho em mim
porque somos
porque pertencemos
a um tempo perdido

sonia delsin 





ONTEM

Chorar pelo que passou?
Se já acabou!
Se findou!

sonia delsin 





SILÊNCIO DA NOITE

às vezes, no silêncio da noite
me pego pensando em você
me pego lembrando
me pego falando
seu nome
...
às vezes, no silêncio da noite
me pego chorando
me pego buscando
tentando buscar
o tempo perdido
o lindo vestido
guardado no armário do tempo
...
me pego passando
acariciando minha orelha
buscando o brilho dourado de um brinco do passado
...
me pego pensando nas águas rolando
na poeira
nos ventos
me pego puramente pensamentos
e sorrio ao observar que resisto
a todos os tormentos

sonia delsin 



FONTE... VIDA... SAUDADES

A estradinha era linda
Toda cheia de curvas e encantos
Nós íamos de carroça
Sentadinhas, minha irmã mais velha e eu,
Íamos prosas e olhos
Querendo ver tudo
Querendo captar tudo
O pai com as rédeas na mão...
Homem bom
Levava suas preciosas
Por aquelas estradinhas formosas
E chegávamos à fonte
E bebíamos a água purinha
Fonte... vida
... saudades

sonia delsin 

quinta-feira, 21 de março de 2019


HÁ UM LUGAR...

há um lugar
onde amo estar
não é um espaço físico
não está propriamente situado no planeta
é um lugar
tranquilo
sossegado
um lugar por mim tão amado
para lá eu vou quando preciso me recarregar
é um lugar que não tem como contar
é um canto dentro de mim?
é um jardim?
de sonhos?
é metafísico?
é paradisíaco
neste lugar os poetas gostam de passear
mas é mais que isso
eles buscam esse lugar por que é onde moram as poesias?
é um recanto de alegrias?
não é bem assim
é um lugar
um misterioso lugar
que eu descobri há tantos anos
quando era ainda uma menina sonhadora
que gostava de escrever na terra
com um graveto
uma menina que encostava a cabeça
no tronco de uma jabuticabeira
e viajava
e se permitia encontrar este lugar

sonia delsin 




MEUS DIAS SOB O SOL

Contar de minha infância?
Tudo de mais lindo e de puro aconteceu
Mas aconteceram fatos tristes que me marcaram
...
Contar de minha adolescência?
Quantas dores, meu Deus!
Quanto pranto derramado!
E quanto medo calado!
...
Contar de minha juventude?
O sol iluminando tudo e trazendo esperança
...
Contar de minha idade adulta?
Quanta luta!
E os dias... as aprendizagens... as viagens
Sim, as viagens que nunca deixei de fazer
Para perto, para longe, para dentro de meu ser
...
E chegou-me a idade madura
Penso: quanta coisa pura!
Se ainda sonho?
Se ainda viajo?
Quanto! Quanto!
Se ainda há sorriso e pranto?
Sim, há o riso aberto
E as lágrimas que derramo
Penso: amo!
Importante
Amo!!!

sonia delsin 




VELHO SEBASTIÃO

hoje me chegou uma lembrança
eu criança
e o velho Sebastião
o contador de histórias
velho Sebastião, que tempo bom!
sentada ali eu me sentia diante de um mundo
imensurável
um mundo que me fazia alcançar o infinito
inimaginável
tudo era tão bonito
e contavas, contavas
Velho Sebastião
foste ao encontro de tuas histórias?
rasgaste a eternidade?
encontraste a felicidade?

sonia delsin